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| Imagem: NASA/SPHEREx |
Se você achava que `Oumuamua (1I) e Borisov (2I) seriam os únicos visitantes de outras estrelas que veríamos tão cedo, pense de novo. O universo acaba de nos dar mais um presente fascinante: o cometa interestelar 3I/ATLAS.
E as novidades não param por aí. Dados recentes mostram que esse viajante cósmico não está apenas "de passagem"; ele está dando um show de química no nosso quintal.
O Despertar Pós-Periélio
Geralmente, esperamos que cometas fiquem mais ativos quando se aproximam do Sol (o periélio), aquecidos pela nossa estrela. Mas o 3I/ATLAS decidiu guardar o melhor para depois.
Observações feitas pelo telescópio SPHEREx da NASA revelaram que a atividade do cometa mudou drasticamente após sua passagem mais próxima ao Sol. Comparando dados de agosto com novas observações de dezembro, os astrônomos notaram que o brilho do reflexo das moléculas de água aumentou 20 vezes!
É como se o cometa tivesse "ligado o turbo" tardiamente, sublimando seus gelos de uma forma muito mais intensa do que o previsto para a distância em que se encontra.
Um Coquetel Orgânico Alienígena
O mais empolgante, porém, é o que está saindo dele. O 3I/ATLAS liberou uma quantidade massiva de moléculas orgânicas. Estamos falando de um verdadeiro laboratório químico viajante:
- Água (H₂O)
- Dióxido de Carbono (CO₂)
- Monóxido de Carbono (CO)
- Nitretos e Hidrocarbonetos
O detalhe curioso é que os hidrocarbonetos e nitretos de carbono não estavam visíveis nas observações anteriores. O súbito aparecimento deles em dezembro sugere que esses compostos estavam presos dentro do gelo de água ou enterrados sob a superfície, sendo liberados apenas agora com a atividade intensa.
O Mistério do CO₂
Uma das assinaturas mais intrigantes do 3I/ATLAS é a sua "fumaça". A proporção de gás dióxido de carbono (CO₂) em relação à água é uma das mais altas já observadas em qualquer cometa no Sistema Solar.
O que isso significa? É uma pista direta sobre a origem dele. Essa abundância de CO₂ sugere que o 3I/ATLAS se formou em uma região do seu disco planetário original onde o gelo de dióxido de carbono congela naturalmente, ou que ele foi exposto a níveis de radiação muito diferentes dos nossos cometas locais.
Ele é, essencialmente, uma cápsula do tempo (mais antiga que o nosso próprio Sistema Solar!) que viajou por pelo menos 10 milhões de anos através da galáxia para nos contar como as coisas são feitas em outros lugares do universo.
O Adeus (com uma parada em Júpiter)
Infelizmente, o 3I/ATLAS já está de saída. Ele está se afastando do Sol e ficando fraco demais para telescópios amadores. No entanto, ele ainda fará uma visita de cortesia a Júpiter em março de 2026, o que dará aos astrônomos profissionais uma última chance de observar esse objeto extraordinário antes que ele mergulhe de volta na escuridão do espaço interestelar.
Fiquem ligados! A era da astronomia interestelar está apenas começando.
Fonte: IFL Science

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